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domingo, 22 de novembro de 2009

Um Samba para Dom Casmurro



"Eu sempre achei que o amor, que o grande amor, fosse incondicinal.
Que quando duas pessoas se encontram, que quando esse grande encontro acontece, você pode trair, brochar, dar todas as porradas, se for um grande o amor, ele voltará triunfal. Sempre!
Mas não, nenhum amor é incondicional.
Então acreditar na incondicionalidade do amor, é decididamente precipitar o fim do amor, porque você acha que esse amor aguenta tudo, então de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo, e um amor não aguenta tudo, nada nesse vida é assim!
E aí você fala que esse amor não tem fim, para que o fim então comece.
Um grande amor não é possível, talvez por isso seja grande.
Então, assim, nele, obrigatoriamente, pode caber também o impossível.
Mas quem acredita?
Quem acredita no impossível, que não apaixonadamente?
Como a um deus, incondicionalmente."


Manacá

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um á parte...

Eram tantos medos e tantas vontades, eram tantas ilusões que nem conseguia mais controlar seus impulsos, seus pensamentos... Uma mistura de tudo, como se sua alma se tornasse uma batedeira e seus sentimentos ingredientes de um bolo, transformando tudo em uma massa homogenias, de maneira que Ela não soubesse mais diferenciar o amor do ódio, o desejo do medo, a saudade do desprezo... Vontades infinitas tomavam conta de seu corpo, mas nenhuma forte o suficiente para tornar-se pratica.
Parada diante do espelho, não sabia mais quem era a real e quem era a personagem. Quem era a verdadeira farsa, a que era o tempo todo ou a que queria ser a vida inteira? A imagem refletida a mirava fixamente: ora com um olhar amargo à reprovando, ora com olhar doce à admirando.
Mas seus olhos mentiam o tempo todo. Eles eram para Ela como duas armas poderosas, a qual ela sabia manipular como ninguém...
Tinha um olhar as vezes doce, de sonhadora... De uma menina que queria mudar o mundo, mas que no fundo era incapaz de mudar a própria vida. Outras vezes, tinha olhar fatal, sedutor... De uma mulher que sabe o que quer, que segue o que pensa e não teme em desejar o que deseja.
Na menina Ele via seus sonhos. Na mulher, via seus desejos. Ele nunca soube muito bem o que se passava por sua cabeça, mas estava certo de que Ela era mais que uma amante para seus desejos carnais... Ela era a musa de suas idealizações juvenis.
E era assim, exatamente assim, que Ela se sentia ao lado dele... Ele: o Sr. de seu sexo, o amante de suas palavras...